sábado, 14 de fevereiro de 2015

É carnaval, alors on danse!?









                O carnaval chegou, vamos dançar! On danse!

                O Carnaval tem sua simbologia fincada na alegria, no sorriso, na dança. O carnaval é felicidade, é  momento de celebrar!
                Nesse período milhões de pessoas de norte a sul do país saem às ruas para beber, beijar, rir, transar, enfim, se divertir. Os pudores são esquecidos, a liberdade é cantada aos quatro ventos sobre trios, palcos, bares e praças. As cidades se transformam com as aglomerações de pessoas de identidade política e sociais diversas, todas elas muito felizes.
              O Brasil nestes dias de festa se torna um território feliz, na TV nossa gente é retratada alegre, serena, festeira e hospitaleira. Nossa imagem de povo receptivo ao turista é vendida aos quatro ventos do mundo através do carnaval. Mas até que ponto essa alegria é verdadeira? Até que limite essa imagem dx brasileirx hospitaleirx chega a ser realidade? Até que ponto o carnaval é mesmo esse carnaval que mostra a televisão? Por que você então dança?
                Primeiramente, você carx leitorx, vive em uma sociedade capitalista, ou seja, uma sociedade baseada na produção de bens de consumo por meio do livre comércio de mercadorias. Portanto em nossa sociedade, qualquer coisa pode ser rentabilizada, visando sempre lucros, inclusive a felicidade. Mercadorias surgem a partir da necessidade (ou não). O mais incrível nesse fato social complexo é que qualquer emoção do ser humano pode ser comercializável, pode se tornar uma mercadoria: nossas alegrias, ideologias, nosso ódio, fome, sede e até nossa cultura. E por que estou falando nisso, quando na verdade convidei você pour danse (para dançar)?
                Sim eu convidei você pour danse pois é isso que normalmente fazemos no carnaval, seguimos com a dança. Obedecemos as batidas, aos sons das cordas da percussão e vamos caminhando, pulando felizes, como se não houvesse outra coisa no mundo (naquele momento) que te deixasse mais feliz que dançar segundo o ritmo da música. Por isso dançamos. Por isso alors on danse (então, vamos dançar).
                No meio dessa dança, de toda essa alegria e de toda essa cerveja, pergunto: você já pensou em quem é que faz o carnaval? Favor, não me responda que são os foliões, pois quando estes chegam nas avenidas, pistas, camarotes e outros espaços da vida carnavalesca tudo já está planejado, disposto à recebê-los. Logo, eles não fazem o carnaval. Também não me responda que são as empresas de entretenimento, que constroem seus camarotes, que investem milhões em seus trios, palcos e festas, esperando receber o dobro de volta. E por fim, não me diga que são as prefeituras, pois os prefeitos estão preocupados com o marketing para suas próximas campanhas eleitorais e isso envolve a garantia da alegria das empresas e das pessoas presentes na festa que tem sua vigência ligada ao calendário cristão que seguimos.
                Mas e então? Refletiu sobre quem é que faz o carnaval? Quem comanda a máquina da felicidade?
                Eu tenho uma hipótese: nossa “alegria” esta sendo comercializada. Se tornou produto. Compramos a ideia de que no carnaval devemos comemorar alguma coisa, seja ela qual for. Você já se perguntou por que existe o carnaval? Se conhece a história do carnaval, por que ele mudou tanto de forma e objetivo?
                No carnaval que eu compro a ideia de ser feliz, pelo menos por cinco, quatro ou três dias. É no carnaval que eu esqueço (ou celebro) as mazelas e as tragédias sociais. Ali nós compramos a felicidade por alguns dias.
                Se queremos comprar felicidade, logo, ele o neoliberalismo, que tanto nos trás problemas nos dias atuais, vai nos dar enquanto consumidores pagantes, a maior festa do planeta. E para montar essa grande festa, precisamos que alguém, ou alguns façam isso como marionetes seguindo as exigências do mercado, daí o papel do estado com uma montanha de investimentos (fantasiado de investimento em cultura...) e quando nos damos conta de tudo armado... Alors on danse!
                Já que estamos tocando neste assunto, convido-xs a ouvir, ler e refletir com uma música de um artista chamado Stromae, o título da música, assim como o deste post é um convite “Alors On Danse” em francês, que no português quer dizer “Então, vamos dançar!”


Letra da Música Original
Letra da Música Traduzida
Alors On Danse
Alors on danse
Alors on danse
Alors on danse

Qui dit étude dit travail
Qui dit taf te dit les thunes
Qui dit argent dit dépenses
Qui dit crédit dit créance

Qui dit dette te dit huissier
Oui dit assis dans la merde
Qui dit Amour dit les gosses
Dit toujours et dit divorce

Qui dit proches te dis deuils
Car les problèmes ne viennent pas seul
Qui dit crise te dis monde dit famine dit tiers-monde
Qui dit fatigue dit réveille encore sourd de la veille
Alors on sort pour oublier tous les problèmes

Alors on danse?
Alors on danse?
Alors on danse?
Alors on danse?
Alors on danse?
Alors on danse?
Alors on danse?
Alors on danse?
Alors on danse?

Et la tu t'dis que c'est fini car pire que ça ce serait la mort
Qu'en tu crois enfin que tu t'en sors
Quand y en a plus et ben y en a encore!
Ecstasy dis problème les problèmes ou bien la musique
Ça t'prends les trips ça te prends la tête
Et puis tu prie pour que ça s'arrête

Mais c'est ton corps c'est pas le ciel
Alors tu t'bouche plus les oreilles
Et là tu cries encore plus fort et ca persiste

Alors on chante
Lalalalalala, lalalalalala
Alors on chante
Lalalalalala, lalalalalala
Alors on chante

Alors on chante
Lalalalalala, lalalalalala
Alors on chante
Lalalalalala, lalalalalala
Alors on chante

Et puis seulement quand c'est fini, alors on danse
Alors on danse
Alors on danse
Alors on danse
Alors on danse
Alors on danse
Alors on danse
Alors on danse

Et ben y en a encore
Et ben y en a encore
Et ben y en a encore
Et ben y en a encore
Et ben y en a encore
Então vamos dançar
Então vamos dançar
Então vamos dançar
Então vamos dançar

Quem diz estudo, diz trabalho
Quem diz moeda, diz nota
Quem diz dinheiro, diz despesa
Quem diz crédito, diz débito

Quem diz dívida, diz fiscal
Se diz sentado na merda
Quem diz amor, diz crianças
Diz sempre e diz divórcio

Quem diz aproximação, diz angústia
Pois os problemas não vêm sozinhos
Quem diz crise, diz mundo, diz fome, diz terceiro mundo
Quem diz fatiga, diz acorda ainda surdo da véspera
Então vamos sair para esquecer dos problemas

Então vamos dançar?
Então vamos dançar?
Então vamos dançar?
Então vamos dançar?
Então vamos dançar?
Então vamos dançar?
Então vamos dançar?
Então vamos dançar?
Então vamos dançar?

E aí você fala pra que acabou, pois pior que isso, só a morte
E você acredita que sairá
Dessa quando ainda há mais, e ainda há!
Ecstasy é problema, os problemas, ou mais ainda, a música
Você embarca numa viagem, te prende a cabeça
E depois você reza para que tudo pare

Mas é o seu corpo, não é o céu
Nem sua boca e tampouco as suas orelhas
E você grita mais alto e ainda persiste

Então, vamos cantar
Lalalalalala, lalalalalala
Então, vamos cantar
Lalalalalala, lalalalalala
Então, vamos cantar

Então, vamos cantar
Lalalalalala, lalalalalala
Então, vamos cantar
Lalalalalala, lalalalalala
Então, vamos cantar

E somente quando acabar, aí sim vamos dançar
Então vamos dançar
Então vamos dançar
Então vamos dançar
Então vamos dançar
Então vamos dançar
Então vamos dançar
Então vamos dançar

Ainda há vida
Ainda há vida
Ainda há vida
Ainda há vida
Ainda há vida

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